APRESENTAÇÃO

 

Após o lançamento do livro de Helmut Sick “Ornitologia Brasileira: uma introdução”, na década de 1980, as portas de acesso aos interessados no estudo das aves no Brasil expandiram-se de poucas instituições de pesquisa e museus para as livrarias espalhadas pelo país. A obra foi, sem dúvida, o catalizador mais importante da reação ente a paixão potencial pelas aves e a ação efetiva no seu estudo e conservação por parte de dezenas de jovens. Desa “geração pós Sick”, assim batizada pelo colega (e memmbro da mesma geração) Prof. Dr. Alexande Aleixo, existem hoje representantes na maioria das universidades e museus brasileiros e a quantidade de interessados em Ornitologia aumenta ano após ano.

Um termômetro desse interesse é o número crescente de participantes e trabalhos apresentados nos Congressos Brasileiros de Ornitologia (CBOs), organizados pela Sociedade Brasileira de Ornitologia (SBO). Os congressos indicam não só aumento na quantidade, mas também na qualidade de trabalhos e formação acadêmica dos recursos humanos, bem como a formação de uma massa crítica de subgrupos de pesquisadores envolvidos com.temas mais específicos da Ornitologia.

O XIV CBO reúne em Ouro Preto a maior parte dos ornitólogos brasileiros, dez anos após Minas Gerais ter sediado o VI CBO, em Belo Horizonte, presidido pelo Prof. Miguel Ângelo Marini. Alguns daqueles já são experientes profissionais, liderando e executando importantes pesquisas e consultorias, outros encontram-se em meio à sua formação. Felizmente, um grande número de iniciantes apresenta-se a cada CBO, vislumbrando-se uma Ornitologia cada vez mais forte e diversificada no país, condizente com sua avifauna.

Em um país com tantas e tão grandes diferenças sociais não se pode fechar os olhos para o potencial de uso econômico de nossa avifauna, como recurso natural renovável que é. Dessa forma, o tema do XIV CBO “Ornitologia e Economia: Desafios e Oportunidades para a Ciência, a Conservação e a Geração de Riquezas” foi proposto para se trazer para discussão temas direta e indiretamente relacionados ao uso sustentável e à conservação da avifauna brasileira, as bases científicas para esse uso e sua interface com os diferentes setores da economia.

Apesar do enorme potencial, o Brasil ainda é tímido na exploração racional de sua avifauna, seja por questões culturais, de desinformação, de infra-estrutura, de pessoal ou por impedimentos legais. A observação de aves como lazer, a caça esportiva regulamentada, a atuação das aves como pragas na agricultura, a forma como diferentes atividades econômicas afetam a avifauna e o uso da filogenia como ferramenta para o delineamento estratégico de unidades de conservação Amazônicas frente aos vetores de de desenvolvimento da região são alguns dos temas relacionados à economia, direta ou indiretamente, e abordados nas palestras e mesas-redondas do XIV CBO. Temas já tradicionais como inventários e a biologia básica das espécies, dentre outros, sempre necessários ao seu uso racional e conservação, são abordados nos trabalhos apresentados pelos congressistas.

A ave-símbolo do XIV CBO, o beija-flor-de-gravata-verde (Augastes scutatus), é endêmica dos campos- rupestres da Serra do Espinhaço, ambiente que ocorre em Ouro Preto, no sopé do Pico do Itacolomi, o marco natural mais marcante do local de realização do congresso. Os impactos das atividades humanas sobre os campos-rupestres, sobre o Augastes e sobre a comunidade de aves que com ele povoam o hábitat, são ainda uma incógnita. Essa condição, desafortunadamente, é comum a quase toda a avifauna brasileira. Porém, o quadro tende a mudar: o XIV CBO realiza-se com um novo recorde de trabalhos e participantes inscritos, confirmando o fato de que a SBO está no rumo certo para o estudo e conservação de uma das avifaunas mais ricas da Terra.

Apesar de muitas dificuldades para a realização deste CBO, chegamos ao final desta trilha, onde Minas recebe de braços abertos ornitólogos e aficionados pelas aves de todo o país. A Sociedade Brasileira de Ornitologia e a Universidade Federal de Ouro Preto, organizadoras do XIV CBO expressam seus mais sinceros agradecimentos a todas as instituições e pessoas que tornaram possível este evento.

 

COMISSÃO CIENTÍFICA DO XIV CONGRESSO BRASILEIRO DE ORNITOLOGIA

 

PRESIDENTE DA COMISSÃO:

 

  • Dra. Celine de Melo – Universidade Federal de Uberlândia

 

REVISORES:

 

  • Ms. Alexandre Gabriel Franchin – Pós-graduação em Ecologia e Conservação de Recursos Naturais – Universidade Federal de Uberlândia

  • Alexandre Luis Padovan Aleixo – Museu Paraense Emílio Goeldi

  • Dra. Anamaria Achtschin Ferreira – Universidade Estadual de Goiás

  • Dr. Caio Graco Machado – Universidade Estadual de Feira de Santana

  • Dra. Carla Fontana – PUC-RS

  • Dr. Claiton Martins Ferreira - Inst Neochen de Pesquisa e Conservação Ambiental.

  • Dra Cristina Yumi Miyaki – USP

  • Dr. Dárius Pukenis Tubelis –  USP

  • Dr. Demétrio Luis Guadagnin – Universidade do Vale do Rio dos Sinos

  • Esp. Elivan Arantes de Souza -  IBAMA - DF

  • Dra. Érica Hasui - USP

  • Ms. Iury Almeida Accordi - UFRGS

  • Dr. José Flávio Cândido Júnior - UNIOESTE

  • Leonardo Vianna  Mohr – IBAMA - DF

  • Dr. Marcos Rodrigues – Universidade Federal de Minas Gerais

  • Dr. Miguel Ângelo Marini – Universidade de Brasília

  • Dr. Oswaldo Marçal Júnior – Universidade Federal de Uberlândia

  • Dr. Pedro Ferreira Develey - BirdLife International-Program do Brasil, Programa do Brasil

  • Dr. Reginaldo José Donatelli – Universidade Estadual Paulista

  • Dr. Renato Torres Pinheiro – Universidade Federal de Tocantins

  • Dr.  Ronald Dennis Paul Kenneth Clive Ranvaud - USP

  • Dr. Rudi Ricardo Laps - Fundação Universidade Regional de Blumenau

  • Ms. Vítor de Queiroz Piacentini – Universidade Federal do Paraná